Cartilha Hertzberger (exercício de recuperação) - A Rua; O domínio público.

     Com base na leitura de "lições de arquitetura" de Herman Hertzberger, a Rua atualmente é marcada pela presença dos carros e o pedestre é visto como um personagem secundário neste ambiente, se tornando uma vitima do trânsito. A rua apresenta diversas funções: uma delas é a visão da rua como uma "sala de estar", conceito apresentado no livro, para dizer que é um espaço de convívio, portanto, Hertzberger afirma que tratar da rua como lugar hostil é um "erro fatal". 

    Com a melhoria da condição de vida, a rua se tornou um lugar marginalizado, visto que, as pessoas tendem a ter um certo medo deste ambiente público e a se isolar em casa, ou seja, em um ambiente privado. 

    O espaço da rua pode servir também para eventos culturais, um grande exemplo disso, no Brasil, é o carnaval, ademais, para eventos também políticos, como ocorre no caso de manifestações, fazendo de um espaço público também político.

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protesto no centro de Belo Horizonte.
    Ao abordar os conceitos de público e privado, tendemos a pensar em espaços como a Rua e praças como públicos e a nossa própria casa como um ambiente privado, porém, seguindo a lógica Hertzbergeriana de demarcações de território, ao se comparar, por exemplo, o seu quarto com o restante da casa, a sua casa passa a ser um local público e o seu quarto, um local privado. A exemplo disso, temos a rua e casas de Bali que sofrem gradações distintas entre público e privado. Citando Hertzberger: 
"Os quartos de várias habitações em Bali são muitas vezes pequenas casas construídas separadamente, agrupadas em volta de uma espécie de pátio interno, no qual se entra por um portão. Depois que atravessamos o portão não temos a sensação de que estamos entrando numa residência, embora isso seja o que acontece de fato. As unidades separadas da residência- área de cozinha, dormitórios e, às vezes uma câmara mortuária e um berçario - possuem uma intimidade maior e são, certamente, de acesso menos fácil para um estranho. Deste modo, a casa abrange uma sequencia de gradações distintas de acesso"
    

página 14 do livro Lições de Arquitetura de Herman Hertzberger, residências de Bali.
     Trazendo um outro exemplo de Bali citado no livro para o Brasil, comparamos dois lugares bastante distintos quanto a espaço e as provocações disso. O centro de Belo Horizonte e Brasília:
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Centro de Belo Horizonte.

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Brasília.
    Para iniciar essa comparação, observa-se em Belo Horizonte, um numero excessivo de pedestres nas ruas, enquanto em Brasília, quase não se vê pedestres. No centro de Belo Horizonte os pedestres se misturam em meio aos carros, sendo uma competição quase desleal com os pedestres, em Brasília, a desigualdade dessa competição se intensifica a medida que quase não há espaço para pedestres e as distancias só são possíveis de serem percorridas de carros. Sobre isso Hertzberger afirma que o tamanho do espaço deve estar em sincronia com a função a ser exercida naquele lugar. A partir desse pensamento, observa-se muitas vezes esse tamanho exagerado das ruas -como em Brasilia- ou pequeno demais, como em Belo Horizonte.
    Por fim, ao abordar sobre praças públicas, elas não são apenas ponto de encontro, como lugares para realização de eventos e manifestações. Quando se pensa em diferentes tipos de praça, observa-se um certo planejamento: das pessoas que irão frequentar e de como elas utilizaram deste espaço, o que nem sempre é seguido, fazendo perder o domínio sobre o lugar, pois como é um espaço público, não é possível existir este tipo de controle.



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